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O tema deste blog na semana passada foi a participação das mulheres na liderança das grandes empresas dos Estados Unidos. Pois bem, você já imaginou uma empresa sem um líder? Sem o tal CEO? A DPR Construction, a Peakon e a fabricante suíça de relógios e artigos de luxo Cie. Financière Richemont AS já imaginaram – e colocaram a teoria em prática. Com algum sucesso.

A Peakon, desenvolvedora de softwares nos Estados Unidos e na Europa,e a DPR são administradas por comitês: tudo é definido com base no consenso de estruturas de gestão que, segundo afirmam os porta-vozes de uma e de outra, aumentam a colaboração e melhoram a tomada de decisões em todos os níveis. No caso da Peakon, que ainda não completou três anos desde a sua fundação, as decisões ficam sob a responsabilidade de seis pessoas que se reúnem regularmente para resolver as grandes questões da empresa.

A fórmula, contudo, já apresentou falhas: ações de prazo mais longo, como o fortalecimento da imagem corporativa, foram inicialmente negligenciadas – os seis gestores estavam muito mais preocupados com aspectos de ordem pontual, como os números de vendas. Resultado: decidiram contratar um especialista em operações para manter os seis gestores no rumo certo, além de compilar indicadores e reestruturar as reuniões da equipe.

Com divisões tão famosas quanto cobiçadas como Cartier e Van Cleef & Arpels, a Richemont experimentará em breve o modelo de gestão que dispensa a figura do “comandante da aeronave”: a empresa anunciou semanas atrás que o seu diretor-presidente, Richard Lepeu, não será substituído quando deixar o cargo neste ano. Os principais dirigentes do grupo passarão a se reportar ao diretor-presidente executivo do conselho, Johann Rupert. Ele já se autodefine como um “controlador do tráfego aéreo de egos”. Ou seja: vem turbulência por aí.


Ricardo Largman, jornalista formado pela PUC-RJ em 1982, é crítico de cinema, consultor de Comunicação e assessor de Imprensa do Instituto IBMEC.